segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um Mundo chamado Maria.


Caminho nas estradas e ventos frios de seus lábios, meu cachecol balança nas lembranças. Deito-me na paisagem dos brilhos de teus olhos como águas de um rio, sua natureza, sua força, sua beleza me fascina. Apanho as folhas de teus cabelos que caem em meu peito em uma tarde de inverno, o outono já se foi e meus medos também.
A tua claridade e tua escuridão me cobrem, aves e animais se escondem de minha visão quando recosto em teu tronco suave e sua macia pele. As roupas que me faz admirar constrói seu estilo. Queria poder abraçar teus ombros como muitas vezes fiz, mas errei contigo e teus ombros no qual muitas vezes vi forte e me apoiei em seu flanco, agora franzido me mostra tua fragilidade. Imaginei que nunca te veria brava comigo, eu nunca pensei que você fosse tão frágil, eu estava errado.
Eu deveria ter notado antes, você mesmo sendo assim... Cuidando sempre de meu sorriso e me espelhando em seus mares, você ainda é meiga e frágil. Sonha em um dia se tornar livre, e ser a mãe do ano, mas os anos abandonam-te. És tão nova e ao mesmo tempo tão madura, tão forte e tão frágil que tenho medo de segurar-te as mãos sem feri-la.
Sua presa crava em meu peito inúmeras paisagens, inúmeros amigos que vejo ao teu lado e ciumento e orgulhoso guardo o medo de perde-la para mim. Suas tempestades, tsunamis e chuvas torrenciais me faz querer estudá-la, quero prever tuas dores para poder gerar em ti mais sorrisos. Estou sendo hipócrita? Talvez afinal quem causou tudo isso fui eu, mas não minto ao dizer que me arrependo e que mereço cada gota de tua tristeza e desapontamento.
Não quero ferir-lhe, não quero contribuir com sua maturidade. Mas sei que se eu não tiver uma atitude quanto a isso, outros terão... Temo pelo que os outros farão a ti. De teu belo cabelo de folhas, e sua vestimenta de água, temo pelo que está por traz desse deslumbramento que sentimos por ti, e tudo que essa curiosidade possa causar.
Tantas coisas em comum e fui insensível contigo, de meus erros esse se tornará o mais grosseiro, deixar sujar as tuas águas, deixar quebrar teu sorriso, deixar inundar-te com minhas palavras lixo que apenas te fará ver o quão fraco estou sendo.
Este texto é um pedido de desculpas a Mãe natureza e ao meu mundo, meu mundo ao qual eu chamo de Maria.

Mau Souza (25/06/2010) 06:35

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